De acordo com seu olhar ele reprovava aquilo que acontecera em sua vida nos últimos anos, cabisbaixo e pensativo, olhava o rodapé da sala, se perguntando sem parar -Por que a vida me trouxe aqui? - lugar pequeno, cheiro de mofo, pequenas teias de aranha se faziam nos cantos, foi quando fechou os olhos e sentiu sua alma acima do corpo. De repente estava num bosque, belo bosque, árvores altas, flores miúdas espalhadas por todos os lados - E esse aroma maravilhoso? Cheiro de vida - o mofo desaparecera, as aranhas não estavam ali, afinal, nem os cantos da sala existiam nesse lugar, muito menos a sala. Foi quando avistou aquele garoto, magro, pele branca, o sol refletido em seus olhos castanhos escuros , escuros como a terra, encontrava-se deitado no mato, o peito nu, sentiu um desejo súbito e a memória de seu primeiro amor lhe veio a mente - Finalmente o reencontrei - depois de anos fugindo de si próprio, havia retornado ao primeiro encontro com o amor verdadeiro, o único que teve. Viu a si próprio deitado ao lado daquele rapaz, pegava sua mão e a beijava, olhavam os dois para o céu, o rapaz de olhos da terra falava muito baixo e acariciava sua mão delicadamente, sentia um arrepio e um fogo em seu peito - Ah, Bata mais lento coração! Não ouço o que ele me diz, aquiete, por favor - Porém, a imagem no bosque logo desaparece, é levado para uma igreja, estava se casando, terno preto, gravata vermelha, uma noiva de branco ao lado, sem muito brilho, sem muito amor. Casou, teve filhos, exatamente dois, divorciou-se - Não me lembre do maior erro que cometi - Se o casamento com uma mulher e deixar seu verdadeiro amor num bosque para trás foi o maior erro, o pobre homem mal poderia imaginar o quão errado havia sido entrar num escritório para trabalhar, quando o que mais lhe agradava era a escrita e a pintura, deixara todos os seus dons e alegrias . Agora assistia o presente, os dias tristes, rotineiros, que lhe traziam dinheiro e sucesso. Belo sucesso, numa sala velha, mofada. Abriu seus olhos, uma pequena lágrima escorreu, logo as limpou. Chega de tanta bobagem, afinal, este homem possui muito trabalho para hoje.
Gabriela Bueno.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Um limite do pensamento, talvez...
Observando as pedras que compõem um caminho, pensa consigo mesma - Onde daria essa infinita estrada? - confunde-se em seus pensamentos, inchados de questões de sua própria vida que não foi capaz de resolver em anos. Avista então, um pequeno cogumelo, diversas cores, tamanho encantador, apanhando o pequeno e dando-lhe uma fungada joga na boca e o mastiga - a grama é tão macia neste local - seus cabelos enroscados naquela grama molhada, o cheiro de terra, da chuva, de verde possuí seu corpo, sua cabeça, suas mãos, todo o seu tato. De repente, as estrelas ficam mais distantes, as flores que a cercam aumentam de tamanho e, aquelas pedras do caminho estão bem maiores. Seguindo o tal caminho se dá conta de sua finidade, uma pequena porta, de madeira. A porta se abre e seus olhos se encantam - Incrível - um belo lugar, com diversas flores e árvores, pequenos seres que voam, de cores lindas e asas quase incolores. Uma pequena cachoeira atrai sua atenção, encantada pelo som de suas águas cai na correnteza, o desespero a invade. Bolhas e mais bolhas saem de sua boca, a água entra por suas narinas e a ardência em seu pulmão sufoca todo seu ser. Abra os olhos - exclama alguém - a pequena garota perdida finalmente vê a luz, azulada luz, não sente a maciez abaixo dela, não encontra o cheiro da terra molhada mais, quando se dá conta está jogada entre pedras, na companhia de uma sereia, responsável pela sua vida salva. Sem saber como agradecer a voz lhe falha, então, a sereia entrega-lhe uma pequena concha translúcida, admirada com o objeto entra numa transe, quando finalmente desperta, vê sob seu olhar o céu repleto de estrelas, seus pés de tamanho normal, pequenas pedras que compõem um caminho, pensa consigo mesma - Onde daria essa infinita estrada?
Gabriela Bueno.
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