quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016


Lembranças escuras, poucas lembranças, nenhuma ardente, nenhuma que faça ela sentir-se viva, não há lembranças. Mesmo assim seus olhos escorrem, uma tristeza que se aloja neles sem explicação. Aquela intensidade que existia já não existe mais, mas a culpa está transbordando -Por que sente tanta culpa, menina? Já quase não sente mais nada e deixa a culpa lhe devorar dessa maneira?- Que joguinho bem elaborado, você sabe muito muito bem que ela tem prática nesses jogos, se eu fosse você, sairia deste jogo. Não haverá ganhadores.

Parabéns por ter abandonado um jogo em que você apenas perdeu.




Gabriela Bueno

"Pensamentos vazios, peito cheio. 
Sabe o buraco da Alice? Não paro de cair.
Queria apenas sentir as coisas, sentir a realidade, sem preocupações com o que deveria ter se encerrado. 
Não me reconheço, a fragilidade é tamanha, é um momento de plena desconstrução.
As relações são intensas, intensas demais para lidar. "

Confusão, essa menina não sai da confusão. Ela nunca imaginou que fosse tão difícil lidar com a vida. Sentido, uma palavra que para ela não existe. Talvez seja algo que ela não saiba procurar, ou apenas se esquiva.
Já era tempo de abrir os olhos e enxergar a vida, mas ela se limitava a olhar pra frente, ou simplesmente para o chão. O céu sorria, dançava, gritava para ela, mas não, ela não via. Um dia tropeçou, ao cair se permitiu olhar para cima, viu o céu, se apaixonou, se entregou, se encantou. Ela poderia ter encontrado um novo amor? Seu grande amor? Pois é, querido céu, você fez essa garota levantar a cabeça, a paixão que causou a ela faz com que a cada dia ela busque novos encantamentos, coisas que prendam, pessoas que a levem desse mundinho monótono, que a levem para conhecer o universo, a vida, que ela nunca se permitiu enxergar.
Querida, a vida é tão simples, apenas viva! Não se preocupe tanto, sei bem que você não é feliz há algum tempo, mas você tem tido oportunidades maravilhosas para se entregar a felicidade.

Gabriela Bueno