terça-feira, 28 de julho de 2015

Eco




" Quando fecho meus olhos sempre posso sentir
Os seus olhos e seus lábios sorrindo pra mim
Nado nesses seus olhos, mar de inspiração
Tua boca, tua pele, teu cheiro é canção

Eu vou cantar pra ela
Que sem ela não existo mais
Eu vou cantar pra ela
Que eu sempre a quero mais
E eu vou dizer pra ela
Que ela é a luz que me traz paz "


     Tá sentindo essa saudade? aperta o peito, seca a garganta e molha os olhos. Que falta já sinto, que falta já faz. Tem vazio demais, espaço demais, silêncio demais. Cadê você, garota? Sei que faz apenas horas, mas o pensamento se enche dos dias e meses, e o aperto fica mais forte, me engasgo. Veja essa cama, tão grande sem você, tão desconfortável sem seus braços. Tá sobrando muito. Eis que sua presença se encheu neste lugar, agora que se foi, o eco machuca dentro do peito. 

     Aguardo e guardo dentro de mim cada instante e cada segundo, prometo que está aqui e aqui permanecerá, sei que tá sendo breve essas palavras, mas será mais breve ainda, porque à você apenas digo: Até logo! Espero ansiosamente pelo momento de sentir seu abraço de novo. 

     E, sim, é amor. Cada segundo me transbordo desta certeza.

Gabriela Bueno

sexta-feira, 26 de junho de 2015

     Voe, meu Bem! Corra por essas ruas, entre nesses carros, ônibus, estradas. Caia nessa vida, minha querida. Tampe os olhos e mergulhe. Mas.... Respire muito fundo antes, antes de dar a cara a tapa para vida, antes de criar expectativas maiores que seu coração pode suportar, respire, para que esse medo saia de seu ser. Respire. Meu amor, a zona de conforto realmente nos acorrenta, mas não pense que não existe mundo além dela. É difícil quebrar as correntes, ou até mesmo encontrar as chaves que a solte delas, mas você conseguirá. Caso queira voltar pra cá, pense um pouquinho, respire mais alguns minutos e veja se vale a pena restringir seu mundo a um pequeno lugar, um pequeno círculo, a uma monotonia, a essa mesmice que são seus dias e essa infelicidade que carrega no peito. Mais um conselho, o último, lhe prometo, meu Bem, não se engane, não deixe que o fedor desse mundo invada suas narinas e seu ser, não pense que o que move os corações é o dinheiro, não deixe que esse sistema no qual você está inserida corrompa sua mente, seu sangue, seu corpo. Você faz parte do futuro, aquele que mudará pensamentos, estruturará movimentos. Ah! se entregue à vida, para que você desfrute de tudo que ela, junto a natureza, lhe oferece, mas, não se entregue a nojeira do mundo e do sistema medíocre. Confio em você, qualquer tropeço, lembre-se: Respire. Eu prometo à você que meus braços estarão abertos pra lembrar e sustentar a força que você tem, prometo também que estarei aqui para lhe ajudar a levantar cada vez que tropeçar. Mas, não desista querida, se quer mudar o mundo, mude!

Gabriela Bueno

sexta-feira, 24 de abril de 2015

     Uma dose - ela pedia - Uma dose! Por favor, uma maldita dose! De vida, de alegria, de sexo! Quero uma dose de cada, quero embriagar-me esta noite! - Ela pulava enquanto pedia sua dose, olhava para cima, olhava para os pés, inquieta - Alguém pode por favor me ver uma dose?! - Sente um toque em sua mão, um arrepio na nuca, uma fala em sua orelha : Aqui está sua dose querida, feche os olhos, apenas. Sentia uma vibração no seu corpo, da cabeça aos pés, dedos entrelaçavam seu cabelo, beijos quentes percorriam seu pescoço, uma musica envolvente tocava ao fundo, encontrava-se numa bela sala, luz baixa e apenas um pequeno sofá estava a sua frente. De repente riam, bebiam, fumavam, nem ao menos sabia quem estava ali, o nome daquela pessoa. Nada lhe importava, sentia-se bem, viva. Dedos deslizavam por seu corpo, desde os cabelos até suas pernas, no interior delas se aconchegavam. Seu corpo tremia, olhos apertavam, viravam, as mãos fechadas, sentia os beijos por todo corpo, no meio de suas pernas agarrava aquele cabelo macio e sentia a textura daqueles lábios que a faziam delirar. Mas que delírio! - Satisfeita, abriu os olhos e saiu do bar.

Gabriela Bueno

quarta-feira, 22 de abril de 2015

      Cheiro de café, sexo, suor. Ah, sim! O fez sentir saudades, noites maravilhosas - Mergulhava naquelas curvas como se não existisse outro caminho. Experimentava o êxtase, loucura do momento. Já não sentia mais os pés no chão, tampouco a cabeça estava na realidade desse mundo. Queria a cada minuto mergulhar mais e mais naquela perdição - Pois é, as noites se passaram, o sonho daquela menina, daquela pequena em sua cama, nos seus braços se desfez. Não! não desfez nada, ainda estava em sua mente cada segundo e cada toque, espera ansiosamente pelo próximo encontro, seja ele diante da realidade, seja ele diretamente nos sonhos, para mergulhar mais profundamente na utopia de sua mente. Naquelas noites não bastava abrir os olhos, nada lhe faria sair dali, aquilo era real, por mais que não parecesse, por mais que aquilo fosse mágico, por mais que aquela garota fosse difícil de acreditar. Difícil de acreditar que escolheu passar aquelas noites com ele - Sim, meu querido, ela escolheu, aproveite esse sorriso bobo na sua face então .
     Sentindo o amor, dando sorrisos, transmitindo alegria e paz. Que paz magnífica! Desejava que aquela paz permanecesse em seu coração, em seu ser - Por favor querida, não faça esse rapaz perder a paz que você mesma lhe causou, apenas o leve para o mundo dos sonhos e da magia, seja por mais cinco noites ou que seja a vida inteira - Ele se sentia agradecido, mais que isso: enobrecido.

Gabriela Bueno

domingo, 8 de março de 2015

     Era normal que existisse tanta confusão dentro de uma mesma pessoa. Já estava acostumada à divisões, mas não preparada para rompimentos. Por menores que fossem, eram doloridos. Perdia-se dentro de si, dentro dos sonhos, dos pensamentos, mas o que menos queria, era sair dali, por mais que aquela não fosse sua realidade, era o que a acolhia bem, era o que lhe fazia surgir um sorriso no rosto ou um frio na barriga. Não permanecera por muito tempo, realmente triste esse acontecimento. Cabia à ela uma missão muito grande, sentia medo de fracassar. Não se cobre tanto garota, a vida é curta pra se sentir tão perdida e triste dessa maneira.

Gabriela Bueno.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

     De acordo com seu olhar ele reprovava aquilo que acontecera em sua vida nos últimos anos, cabisbaixo e pensativo, olhava o rodapé da sala, se perguntando sem parar -Por que a vida me trouxe aqui? - lugar pequeno, cheiro de mofo, pequenas teias de aranha se faziam nos cantos, foi quando fechou os olhos e sentiu sua alma acima do corpo. De repente estava num bosque, belo bosque, árvores altas, flores miúdas espalhadas por todos os lados - E esse aroma maravilhoso? Cheiro de vida - o mofo desaparecera, as aranhas não estavam ali, afinal, nem os cantos da sala existiam nesse lugar, muito menos a sala. Foi quando avistou aquele garoto, magro, pele branca, o sol refletido em seus olhos castanhos escuros , escuros como a terra, encontrava-se deitado no mato, o peito nu, sentiu um desejo súbito e a memória de seu primeiro amor lhe veio a mente - Finalmente o reencontrei - depois de anos fugindo de si próprio, havia retornado ao primeiro encontro com o amor verdadeiro, o único que teve. Viu a si próprio deitado ao lado daquele rapaz, pegava sua mão e a beijava, olhavam os dois para o céu, o rapaz de olhos da terra falava muito baixo e acariciava sua mão delicadamente, sentia um arrepio e um fogo em seu peito - Ah, Bata mais lento coração! Não ouço o que ele me diz, aquiete, por favor - Porém, a imagem no bosque logo desaparece, é levado para uma igreja, estava se casando, terno preto, gravata vermelha, uma noiva de branco ao lado, sem muito brilho, sem muito amor. Casou, teve filhos, exatamente dois, divorciou-se - Não me lembre do maior erro que cometi - Se o casamento com uma mulher e deixar seu verdadeiro amor num bosque para trás foi o maior erro, o pobre homem mal poderia imaginar o quão errado havia sido entrar num escritório para trabalhar, quando o que mais lhe agradava era a escrita e a pintura, deixara todos os seus dons e alegrias . Agora assistia o presente, os dias tristes, rotineiros, que lhe traziam dinheiro e sucesso. Belo sucesso, numa sala velha, mofada. Abriu seus olhos, uma pequena lágrima escorreu, logo as limpou. Chega de tanta bobagem, afinal, este homem possui muito trabalho para hoje. 

Gabriela Bueno.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Um limite do pensamento, talvez...

Observando as pedras que compõem um caminho, pensa consigo mesma - Onde daria essa infinita estrada? - confunde-se em seus pensamentos, inchados de questões de sua própria vida que não foi capaz de resolver em anos. Avista então, um pequeno cogumelo, diversas cores, tamanho encantador, apanhando o pequeno e dando-lhe uma fungada joga na boca e o mastiga - a grama é tão macia neste local - seus cabelos enroscados naquela grama molhada, o cheiro de terra, da chuva, de verde possuí seu corpo, sua cabeça, suas mãos, todo o seu tato. De repente, as estrelas ficam mais distantes, as flores que a cercam aumentam de tamanho e, aquelas pedras do caminho estão bem maiores. Seguindo o tal caminho se dá conta de sua finidade, uma pequena porta, de madeira. A porta se abre e seus olhos se encantam - Incrível - um belo lugar, com diversas flores e árvores, pequenos seres que voam, de cores lindas e asas quase incolores. Uma pequena cachoeira atrai sua atenção, encantada pelo som de suas águas cai na correnteza, o desespero a invade. Bolhas e mais bolhas saem de sua boca, a água entra por suas narinas e a ardência em seu pulmão sufoca todo seu ser. Abra os olhos - exclama alguém - a pequena garota perdida finalmente vê a luz, azulada luz, não sente a maciez abaixo dela, não encontra o cheiro da terra molhada mais, quando se dá conta está jogada entre pedras, na companhia de uma sereia, responsável pela sua vida salva. Sem saber como agradecer a voz lhe falha, então, a sereia entrega-lhe uma pequena concha translúcida, admirada com o objeto entra numa transe, quando finalmente desperta, vê sob seu olhar o céu repleto de estrelas, seus pés de tamanho normal, pequenas pedras que compõem um caminho, pensa consigo mesma - Onde daria essa infinita estrada? Gabriela Bueno.